A presença feminina no Judiciário brasileiro é resultado de uma trajetória marcada por rupturas, pioneirismo e resistência. Ao longo de quase um século, algumas magistradas abriram caminhos em instituições historicamente dominadas por homens, deixando marcas profundas na cultura jurídica do país. Entre elas, quatro nomes se destacam pela relevância de suas conquistas e pelo legado que construíram.
Por: Sintrajufpe
Em 1999, Eliana Calmon tornou-se a primeira mulher a integrar o Superior Tribunal de Justiça (STJ), rompendo uma barreira simbólica na cúpula do Judiciário. Nomeada em 30 de junho daquele ano, ela também assumiu a Corregedoria Nacional de Justiça entre 2010 e 2012, período em que ganhou notoriedade pela defesa da transparência e pelo enfrentamento a práticas corporativistas. Sua atuação firme consolidou sua imagem como uma das vozes mais combativas da magistratura.
Mais de duas décadas depois, em agosto de 2022, Maria Thereza de Assis Moura assumiu a presidência do STJ, tornando-se a segunda mulher a ocupar o cargo. Reconhecida pela postura técnica e equilibrada, ela também passou a presidir o Conselho da Justiça Federal. Sua gestão tem sido marcada pelo incentivo a políticas de equidade de gênero e pelo fortalecimento institucional, reforçando a importância da diversidade nos espaços de decisão.
O avanço feminino no Judiciário, no entanto, começou muito antes. Em 1940, Auri Moura Costa ingressou na magistratura e tornou-se a primeira juíza do Brasil. Em um cenário quase exclusivamente masculino, sua presença representou uma mudança cultural profunda. Auri abriu portas para gerações de mulheres que, inspiradas por sua trajetória, passaram a ocupar funções antes inacessíveis.
Duas décadas depois, outro marco histórico ampliou ainda mais o significado da representatividade. Na década de 1960, Mary de Aguiar Silva tornou-se a primeira juíza negra do país. Sua conquista rompeu simultaneamente barreiras de gênero e raça, em um período de forte desigualdade estrutural. Mary tornou-se referência para políticas de inclusão e para o debate sobre diversidade no sistema de Justiça.
As histórias dessas quatro magistradas revelam que a presença feminina no Judiciário não é apenas uma questão de ocupação de cargos, mas de transformação institucional. Cada uma, a seu modo, contribuiu para ampliar horizontes, desafiar estruturas e fortalecer a democracia. Seus legados continuam a inspirar novas gerações de mulheres que seguem escrevendo os próximos capítulos dessa trajetória.